Casar-se ou continuar solteiro são alternativas que devem ser resolvidas voluntaria e individualmente.

Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará.” (Hebreus 13.4.)

Deus criou o homem e a mulher, estabelecendo entre ambos a relação conjugal (Gn 2.18, 24). Assim surgiu a família, com o ideal de proporcionar o companheirismo entre os cônjuges e um ambiente adequado para receber os filhos, criando-os com amor e carinho. Se Deus disse que “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18), ninguém tem autoridade para afirmar o contrário.

A união entre o homem e a mulher tornou-se a melhor ilustração para a comunhão entre Cristo e a Igreja (Ef 5.23). Aliás, a igreja é a família de Deus, onde os novos convertidos podem ser recebidos e orientados como recém-nascidos no reino da luz.

O casamento é muito importante e necessário. Estar solteiro é, para a grande maioria, uma condição provisória, até que se atinja, se possível, a idade, a maturidade e os meios necessários para as núpcias, além de, é claro, encontrar a pessoa com quem se possa compartilhar o amor e a vida.  Não é bom que “os meios necessários” sejam tão acrescidos de coisas e valores, a ponto de se tornarem alvos inatingíveis, impossibilitando o matrimônio. Contudo, o casamento não é obrigatório. Casar-se ou continuar solteiro são alternativas que devem ser resolvidas voluntaria e individualmente, sem constrangimentos ou manipulações. Cada um deve decidir conforme o dom, a capacidade, que recebeu de Deus (1Co 7.7). Paulo disse que é “melhor casar do que abrasar-se” (1Co 7.9). Portanto, o desejo, natural e legítimo, ou a sua ausência, identificam o dom.

O mesmo apóstolo deixou claro que aqueles que desejassem continuar sozinhos, como ele (há quem afirme que ele era casado por ser parte do Sinédrio), para se dedicarem exclusivamente à obra de Deus, o faziam (1Co 7.32). Entretanto, isso jamais poderia ser objeto de determinação superior ou condição para o exercício ministerial. Paulo mesmo disse que não estava estabelecendo um mandamento nesse sentido (1Co 7.25). O matrimônio pode até ser evitado, desde que não se caia na prostituição ou no adultério. Logo, o celibatário voluntário opta por uma condição de abstinência difícil de manter em relação aos três elementos de Hebreus 13.4. O solteiro cristão, ou aquele que perdeu o cônjuge, deve viver em castidade.

Casos assim na liderança da igreja, como o de Paulo, seriam a exceção.  A regra temos em 1 Timóteo 3.2-5: “É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, temperante, sóbrio, ordeiro, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, mas moderado, inimigo de contendas, não ganancioso; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com todo o respeito, pois, se alguém não sabe governar a sua própria casa, como cuidará da igreja de Deus?”

Portanto, é desejável, preferível, que o líder eclesiástico seja casado, porém, alguns escolhem outro rumo, estabelecendo o celibato como norma para os seus sacerdotes. Isto está coerente com a Bíblia. Sim. Está de acordo com aquele versículo que diz: “Nos últimos dias alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras e têm a sua própria consciência cauterizada, proibindo o casamento, e ordenando a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e que conhecem bem a verdade.” (1 Tm 4.1-3.)

Um dos fundamentos do celibato é uma falsa ideia do que seja santidade, como se o sexo fosse sinônimo de pecado, mesmo dentro do matrimônio. Pela mesma razão, inventou-se a eterna virgindade de Maria (e o respectivo sofrimento de José). Outra razão (ou a verdadeira) para impedir a formação de famílias por parte de alguns sacerdotes é a proteção do patrimônio eclesiástico contra possíveis processos de herança. Não é de se estranhar que se esteja colhendo os frutos venenosos das heréticas decisões. A energia sexual, não sendo direcionada aos canais naturais, desvia-se, muitas vezes, por outros meios, destruindo vidas inocentes. Muitos líderes, que deveriam servir de exemplo aos fiéis, tornam-se modelos da infidelidade. Afinal, se o apóstolo Pedro tinha sogra, isto significa que ele era casado (Mt 8.14). Então, seus supostos sucessores, bem como os respectivos subordinados, também deveriam ter suas legítimas esposas.

É hora de despertamento para aqueles que são sinceros e desejam servir a Deus. Ainda é tempo de romper os laços com o sistema religioso, deixar os dogmas e aprender a verdade que está na Bíblia. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8.32).

::Anísio Renato de Andrade

Bacharel em Teologia
www.anisiorenato.com