Às vezes agimos como uma criança que vai a um hipermercado com o pai e se sente pronto e capaz de andar sozinho por aquele ambiente. Apesar de sempre ter ouvido que estaria seguro perto do pai, o menino se vê como independente e não enxerga problema em se desgrudar um pouquinho.

No começo tudo é novidade, quantos caminhos, corredores enormes prontos para serem explorados. Mas não demora muito para perceber que está perdido. Olha para todos os lados e percebe que apesar de tanta gente, está sozinho. Pergunta qual o caminho certo, mas a resposta o leva a um corredor ainda mais complicado. Então, descobre que não deveria ter se afastado do pai. E agora?

Um pouco adiante se vê novamente seduzido por tantos atrativos. E estavam todos ali expostos e disponíveis. A criança não consegue compreender que tudo aquilo, apesar de parecer acessível, tem um preço. E por não ter maturidade suficiente logo deseja o que não poderia: um lindo pote de vidro cheio de doces coloridos e aparentemente saborosos. Mas tem um problema. O pote não era pra ele e por isso estava no alto da prateleira. Mesmo assim, não pensa muito e se arrisca. Pronto, o inesperado acontece.

O enorme pote de vidro escorrega lá de cima e vai derrubando tudo pela frente. Não sobrou nada na prateleira e o pior, a sujeita estava por todo lado. De longe todos observam, mas ninguém ajuda. De repente surge alguém com olhar de fúria e logo aponta o dedo em direção a criança: “Você errou, não deveria ter feito isso.” “Você é um desastre”. “E agora você vai ter que pagar pelo seu erro”.

Assustado e se sentindo muito culpado, o menino sabe que jamais poderia pagar por tudo aquilo. Era um preço alto demais. Em meio ao choro, se arrepende de ter deixado o pai. Mas, movido pela esperança, solta um grito desesperado: “Paaaaaaaaai, socorro”.

O Pai sempre reconhece o choro e a voz do filho, mesmo que ele tenha se distanciado. E antes mesmo de ser acusado novamente, lá está o Protetor. Ele se coloca na frente do filho e encara o implacável e insensível acusador. Com voz de autoridade diz: “Eu pago a dívida do meu filho”.

Agora nada de se lembrar dos erros. A voz mansa e segura do Pai reforça o que um filho jamais poderia se esquecer: “Comigo você sempre estará seguro”.

Paz e sucesso!

::Juliano Matos